Metafísica de Aristóteles – Volume II

Metafísica de Aristóteles – Volume II

Hoje em dia não se duvida que os catorze livros que nos chegaram com o título Metafísica não constituem um todo organicamente predisposto e acabado. A Metafísica não é uma obra unitária, mas uma coleção de escritos. (…) Mas há ainda outro fato que corta toda pretensão de pensar em traduzir nas línguas modernas os textos aristotélicos do mesmo modo como os traduziam os latinos: Aristóteles não escreveu os seus tratados de metafísica (quaisquer que tenham sido os tempos e os modos de composição) para publicá-los, mas para ter apontamentos e material para as suas lições e para os seus alunos, dentro do Perípato. Portanto, as dificuldades de que falávamos acima são acrescidas destas ulteriores: às vezes Aristóteles se contenta com uma única alusão ou com um breve aceno, enquanto, se tivesse escrito para leitores não-iniciados ou, pelo menos, para um público mais vasto, deveria acrescentar toda uma série de elucidações e desenvolvimentos. Isto sem falar de todo um conjunto de inconvenientes com os quais o tradutor se defronta e, por assim dizer, se enreda: existem mudanças bruscas de sujeito e de objeto, numerosos anacolutos, toda uma série de construções que seguem mais a lógica de um pensamento íntimo do que a construção exigida pela gramática e pela sintaxe da língua grega. Em suma: não há modo de o tradutor se eximir de ser um verdadeiro intérprete. Antes, poder-se-ia certamente dizer que, em certo sentido, um tradutor da Metafísica só poderá ser tal se tiver sabido ser intérprete e, mais ainda, na medida em que tiver sabido ser tal