O diabólico Patrimônio Psíquico (Berlim)

Analises do Prefácio à tradução das conferências sobre as doenças do sistema nervoso, de Charcot (1886)

Ponto de foco – Afastamento do estudo das doenças nervosas que se baseiam em alterações orgânicas para a dedicação as neuroses e em especial da histeria. A histeria em homens. A diferença da histeria grega e histeria freudiana.

18 de julho de 1886 e Freud levanta sua espada aos opositores quando junto as observações bem definidas de Charcot e pesquisas[1] coloca a neurose que é ‘pouco conhecida, a rigor, denegrida’, como relata, em destaque e no entanto um destaque dedicado aos resistentes alemães que querem por tradição manter um estado de interpretação do ‘caos’ vivido de forma a impedir a luz, o acordar outros alemães que percebem um certo ‘novo’ temático e termos, mas talvez ainda não enxerguem.

Freud então traduz um livro de Charcot de forma a uns bons meses antes estar disposto primeiro na Alemanha antes mesmo de ser apresentado na edição francesa e com um diferencial, junto ao consentimento de seu mais novo e admirável mestre, a mudança do título de neurose para ‘histeria’ quase que sublinhado.

Nota:


[1] Estas mesmas observações teremos por Freud no levantar a prática da hipnose ao qual pelos alemães começa a ser divulgada e por doutos qualificados de época como sendo uma prática de ‘sugestão’. O médico sugere a histeria. Freud então debate a tal ‘sugestão’ sobre a hipnose inferida explicando as duas diferenças e linhas conceituais e de práticas que já estão no mercado na época, a hipnose de Bernhein da ‘sugestão’ e a aplicada por Charcot que segue as observações de Farol na prática da hipnose que vem a ter resultados evidenciados, o estado do hipnotizado, de algo que já está, que antecede e existe por detrás de uma condição de estado de ser já pré-estabelecida. A autossugestão do paciente hipnotizado pela sugestão hipnótica é resultado de uma impotencialidade formadora, um enfraquecimento formador que gera a predisposição as neuroses e agora a própria ‘sugestionabilidade’ imposta. Exatamente por isso Freud explica e em época que: ‘Será então realmente possível esquecer que a repressão da independência de um paciente pela sugestão da hipnose é sempre apenas uma repressão parcial; que ela visa os sintomas de uma doença; que (como foi mostrado uma centena de vezes) toda a educação social dos seres humanos se baseia numa repressão de ideias e motivações impróprias…’, note que isto era o que a equipe de Charcot com Freud queriam provar e através da hipnose ao qual estava sendo estudada pelos alemães e o Reich para ser prática midiática formadora de massa e por isso o levantamento da resistência, mas uma resistência formadora desde as defesas de Descartes, Kant e por isso Freud não se afasta destes clássicos com sua equipe por assim dizer e na psicanálise e quanto aos ‘fundamentos’. O homem já participa da Grande Hipnose enfraquecido na maturação de seu pré-consciente e assim está mais predisposto a auto-sugestões de práticas hipnóticas. ‘Uma segunda teoria, somática, explica os fenômenos hipnóticos com base nos reflexos medulares; considera a hipnose um estado fisiológico modificado do sistema nervoso, causado por estímulos externos (impacto na mão, fixidez da atividade sensorial, adução de imãs, aplicação de metais etc.) Afirma que os estímulos desse tipo só têm efeito ‘hipogênico’ quando há uma disposição peculiar do sistema nervoso e, portanto, só os neuropatas (especialmente os histéricos) são hipnotizáveis. Despreza a influência das idéias na hipnose e descreve uma série típica de modificações puramente somáticas que podem ser observadas durante o estudo hipnótico. Como se sabe, é a grande autoridade de Charcot…’, e Freud expões desta forma ‘grande autoridade de Charcot’, pois estão levantando outros doutos ditos de grande autoridade para bloquearem as pesquisas de Charcot e os seus quanto as demonstrações e provas do que realmente define a histeria na massa, periferia, etc, ‘…que apoia essa concepção exclusivamente somática da hipnose…’, ou seja o hipnotizada aceita a sugestão, pois está somatizado sobre o problema formador que antecede a própria histeria, neurose, a Grande Hipnose. ‘Forel, no entanto, posiciona-se inteiramente segundo uma terceira teoria – a teoria da sugestão, criada por Liébeault e seus discípulos (Bernheim, Beaunis, Liégeois). Segundo essa teoria, todos os fenômenos da hipnose constituem efeitos psíquicos, efeitos de ideias que, intencionalmente ou não, são provocadas na pessoa hipnotizada. O estado de hipnose, como tal, é produzido não por estímulos externos, mas por uma sugestão; não é exclusivo dos neuropatas e pode ser conseguido, sem muita dificuldade, na grande maioria das pessoas sadias. Em resumo, ‘o conceito de hipnotismo, tão mal definido até agora, deve equivaler ao conceito de sugestão’, neste caso e conforme Freud a uma sugestão que o médico imputa na prática de forma a impedir as provas levantadas por Charcot e equipe de época, a prova de que a sugestão formadora cria autossugestões ao qual e como disse, sem ser redundante, mas necessário, será implantada pelo Reich, na verdade e nesta época que antecede a Primeira Guerra Mundial já vem sendo.

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